sábado, 10 de abril de 2010

Por que a (o) prometida (o) demora a chegar?





Por J. Reinaldo

Toda pergunta merece uma resposta,

independente das circunstâncias e do contexto

em que ela tenha sido feita.


Não importa se a questão foi lançada na solidão por um devaneio

involuntário ou levantada por um amigo em uma roda

de discussão informal.

Sem exposição ou com exposição do ser,

o fato é que o desafio foi lançado,

eis o momento de apresentar

o que penso sem hesitação.




O ponto central da questão é a seguinte:

a prometida não existe!



Sim, ela ou ele simplesmente não existem.



Não da forma como imaginamos,

não da forma como ingenuamente idealizamos,

não da forma que atualmente pintamos.

Não existem princesas lindas presas em uma torre alta,

esperando para serem salvas.

Da mesma forma, não existem príncipes de olhos azuis

e topetes loiros que montam em cavalos brancos.




Como “esperar” por uma prometida cujas características

mais personificam a beleza encarnada?

Como “esperar” por um prometido cujos atributos não

podem ser encontrados entre os mortais?



Os evangélicos de nossos dias esperam passivamente

por criações metafísicas,

tipos ideais de pessoas dotadas de dons e perfeições

que se encaixem de maneira harmoniosa em seu ser.

Esperamos por aquela ou aquele que foi vocacionada (o)

para nos salvar da solidão e das

decepções amorosas da vida.



A expectativa é que Deus,

sim,

Deus mesmo,

abra os céus e faça descer sobre nós

tal indivíduo perfeito.



Amamos a metade da laranja.

Adoramos historinhas com final feliz.

Desejamos revelações e experiências sobrenaturais que

revelem quem é o amor que há muito esperamos.



É uma pena que preferimos o sabor

das ilusões aos desafios da realidade.



E essa é a lógica da espera passiva,

cujo jargão todos nós conhecemos:

“Estou esperando no Senhor”.



No entanto,

esperamos com uma esperança vazia de significados reais.

Esperamos sinalizações de um futuro desconectado do presente.

Esperamos por um ser que resolverá

todas as nossas carências

e preencherá um buraco que aumenta a cada

ano dentro de muitos corações.



A verdade é que vivemos entre quimeras,

negando a realidade objetiva.



Entretanto,

existem também aqueles ou aquelas que esperam

de maneira ativa e interesseira.



O prometido só serve se possuir alguns

pré-requisitos materiais,

ou se possuir uma bela simetria no corpo e no bolso.



O status é um diferencial para alguns,

afinal, de que serve um bom rapaz se ele não possui

uma posição privilegiada na estrutura social?

Nessa situação um bom nome faz a diferença,

bem como, possuir um carro ou moradia própria.



A espera aqui tem a ver com a estabilidade financeira

que muitos desejam,

até os que se dizem filhos de Deus.



Querendo ou não sempre há motivos escusos

por trás de algumas escolhas.

Há interesses que não podem ser revelados.

E não venham me falar nesse negócio de amor a primeira vista,

pois há sempre um momento que antecede

o sim na escolha de uma pessoa e esse momento se

chama “análise de perdas e/ou prováveis lucros”.



Tudo é medido,

tudo é pesado,

tudo é friamente analisado.





Somos seletivos demais,

racionais demais,

volúveis demais.



Ignoramos aqueles que estão perto;

nos recusamos a enxergar suas qualidades,

suas virtudes,

seu caráter.



Gostamos de “fazer doce”.



Tudo o que conseguimos ver é a miséria do nosso

ser refletido no espelho de nossas vaidades.

Assim, quando não idealizamos o ser perfeito,

preferimos o “ser que tem”,

em detrimento do “ser que é”.



Entre hipocrisias e contradições vamos levando o mito da

“espera em Deus”

que nós mesmos criamos e que não

tem nada a ver com os propósitos

desse Deus para

nossas vidas.



Por que a prometida demora a chegar?



Simplesmente porque ela nunca existiu,

ou melhor, sempre existiu,

mas somente no universo de nossa incapacidade

em enxergar valor em alguém real que habita

o mundo real.



Muitas vezes o que enxergamos é outro valor,

mais monetário do que qualquer

outra coisa.




No que diz respeito aos relacionamentos,

não acredito que aconteçam por meio de mágica.

Acredito na construção de sentimentos

por meio da convivência,

na troca mútua de experiências

e isso leva tempo.



Acredito em uma série de conversas espontâneas

que possam revelar mais de corações reais,

mas isso implica riscos.



Mais do que uma espera passiva,

descomprometida e desinteressada,

acredito que é preciso envolvimento,

numa dinâmica de espera-procura constante.



Acredito na oração,

na entrega dos sentimentos nas mãos de Deus,

mas isso não tem nada a ver com subjetividades vazias,

tem a ver com intervenção na realidade para mudá-la.

É preciso fazer esse movimento,

da oração a ação,

da espera a procura,

da reflexão a convivência

com o outro desejado.



Sou a favor de que temos que aproveitar as oportunidades

que nos visitam e essas oportunidades

são chamadas de pessoas.




Estamos cercados delas,

convivemos com elas.

É por isso que precisamos abandonar

os simulacros religiosos e o espírito capitalista

de mais valia para ir em direção ao outro

real, palpável, tangível.



No final das contas é isso o que importa,

a conversa,

o achego,

o beijo.



Prefiro o calor das contradições humanas

em vez de falsos modelos

de perfeição.




Por que a prometida demora a chegar?


É porque não fazemos o caminho inverso,

é porque não nos dirigimos a ela,

humana,

cheia de falhas,

limitada.



Preferimos permanecer estáticos,

observando o tempo passar em vez de

nos lançarmos à caminhada.



Por que em vez de princesas e príncipes

não optamos por plebeus

espontâneos e acessíveis?O que falta a

nós, sinceramente,

é disposição para nos envolvermos

com aquiloque é humano.


Falta também um tantinho de “sorte”,

um tempinho de antecedência,

um conjunto de palavras e circunstâncias

que nos favoreçam na convivência com o outro.

É por isso que temos que nos arriscar mais

e jogar as fichas que temos nas mãos

sem receiode perder,

apesar da probabilidade em muitos

momentosestar contra nós.

Entre erros e acertos,

perdas e ganhos,

vamos nos formando e amadurecendono

mundo dos humanos,

e não há nada de

errado nisso.






5 comentários:

José Reinaldo disse...

Aloka! Tá nervozinho Fel?! haha!

marcio disse...

OLOKO BICHU....QUASE MA APAIXONEI POR VC KKK

LINDAS PALAVRAS ABENÇOADO^^

felipe disse...

Sacana tu apagou.....
Mas nao adianta que nos planos de Deus tudo tem seu tempo
(Eclesiastes 3 tempo para tudo )
Bases rochosas
srsrsrsrrsr
aaaaaaa

Marisete disse...

Oh Glória!!! Que texto mais abençoado esse viu!? Vou pedir pro meu filho ler!!!
Eu já sou sua seguidora, com carinho e agora, lendo esse texto virei admiradora. Escreves muito bem, sei lá eu quem é você...não vi seu perfil, não sou curiosa, gosto de sentir unção no que leio e não me preocupo às vezes com quem os escreveu...Parabéns!!!
Que Deus nos abençoe!!!

Patrícia disse...

Falou tudoooo...

Postar um comentário